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A CARTEIRA

Aconteceu ontem à noite. Vou contar apenas a verdade.

Perto das 20hrs, encerrei o expediente. Eu estava faminto. Um banho cairia muito bem. Saí de onde eu estava carregando alguns livros. Quando estava quase chegando ao carro, percebi que a carteira não estava no bolso. Não uso exatamente uma carteira. É um daqueles plastiquinhos com propaganda de despachante. Parece um livrinho. É prático e não atrapalha o movimento das pernas. Faz tempo que deixei de usar carteira. As pessoas estranham, dizem que um dia eu perderei o plastiquinho. Nunca dei bola. A soberba pode ser a nossa ruína.

Muito bem. Ontem à noite, cansado, faminto, suado, percebi que o plastiquinho não estava no bolso. Dei uma bufada de raiva. Voltei ao lugar de onde estava vindo. Eu tinha certeza de que a minha "carteira" estava lá. Só que não estava. Entrei em pânico, claro.

Nessas horas agudas, a memória falha. Tentei refazer meus passos das últimas horas. Será que deixei o dito cujo no balcão da padaria? Fui até a padaria repetindo frases positivas. Perguntei para a moça da seção de achados e perdidos se havia um plastiquinho branco, meio judiadinho, numa daquelas gavetas. Nada de plastiquinho. Deu vontade de chorar. Sorte que sou adulto e segurei a onda. Voltei para casa dominado por pensamentos sombrios. Minha vida de cidadão estava naquele plastiquinho: CPF, RG, documentos do carro, cartão do banco, cartão do plano de saúde.

Eu estava dominado por pensamentos sombrios. Além disso, comecei a ouvir vozes. Lógico que eram as vozes daquelas pessoas que condenam minha opção pelo plastiquinho. Em casa, minha esposa meio que lamentou, meio que tirou sarro. Ela era uma das vozes.

Tive pesadelos. Eram situações nas quais eu estava apagado. Eu havia deixado de existir para a sociedade. Acordei com o humor azedo. Liguei para o Poupatempo. Eu estava conformado com o martírio das segundas vias. Mas sorte que a minha esposa é sagaz. Ela recomendou que eu voltasse a um dos lugares da noite de ontem. Ela disse que, hoje de manhã, meu olhar seria diferente. Segui a recomendação.

E deu certo! O plastiquinho estava na lateral de uma poltrona. As trombetas soaram! Voltei a existir. A vida ficou mais colorida. Eu precisava dividir isso com vocês.

Nunca concordei com quem diz que o cotidiano é um marasmo só.

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