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Multidão

Multidão

 

Certa vez, alguém perguntou ao grande contista russo Anton Tchékhov qual seria a ocupação mais adequada para quem desejava ser escritor. Tchékhov respondeu que qualquer uma que permitisse conhecer o maior número de pessoas. Não foi uma resposta à toa: basta ler os contos de Tchékhov para reconhecer que ele construiu, na prática, uma galeria impressionante de tipos humanos. Poucos escritores souberam entender tão bem a diversidade da vida. Tchékhov sabia escrever sobre o cocheiro, sobre o médico, sobre o industrial, sobre a criança, sobre o sapateiro, sobre o camponês, enfim, sobre todo mundo.

A leitura da obra de Tchékhov desperta um pensamento interessante: será que conhecemos a vastidão da vida? Claro que conhecer tudo é impossível. Mas será que tentamos, ao menos, conhecer pessoas que, à primeira vista, estão distantes de nós? Muitos são os obstáculos: leva tempo; precisamos estar atentos; estaremos diante de realidades muito diferentes, e isso pode ser assustador.

E se encararmos a literatura como algo que permita esse conhecimento da diversidade da vida? Não é a mesma coisa que bater perna por aí e sentir na pele as contradições do mundo, mas pode representar um passo interessante. Sim, é só parar um pouco para pensar a respeito das leituras que fazemos dos textos de ficção. Essas leituras podem ter vários objetivos: conhecer outras culturas, aprimorar a linguagem, fugir do mundo, mergulhar no mundo, e por aí vai.

Só que, muitas vezes, deixamos de lado algo fundamental: os textos de ficção trazem personagens, trazem pessoas. Eu leio um romanção e passo a conhecer muita gente. Dessa multidão, vai ter gente que ficará para sempre no coração e vai ter gente que será esquecida. Não é assim que a banda toca? O que está sendo proposto aqui? Simples. Ler para conhecer o maior número possível de pessoas.

Ser amigo do Quixote, da Emma Bovary, da Capitu, do Bubba (amigo do Forrest Gump), da cachorrinha Baleia, do pai da Natalia Ginzburg, da Natasha Rostóv, do pai Goriot, do príncipe Míchkin. A lista é imensa. Ainda bem.

Boa maneira de tocarmos a vida, não?

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