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Aluna Objetivo é destaque no Concurso Internacional de Cartas

A estudante de apenas 12 anos, Ana Luisa Callejas, do 7º ano - Objetivo Portal, foi destaque no Concurso Internacional de Cartas, conquistando o segundo lugar na Etapa Estadual.

O Concurso Internacional de Redação de Cartas para Jovens é promovido anualmente pela União Postal Universal (UPU), sediada em Berna, na Suíça, com o objetivo de melhorar a alfabetização através da arte epistolar. Incentiva a expressão da criatividade e a melhora dos conhecimentos linguísticos de crianças e adolescentes. Participam estudantes de até 15 anos de idade, previamente selecionados nas etapas nacionais.

No Brasil, a realização do concurso fica a cargo dos Correios e é desenvolvido em três fases: escolar, estadual e nacional. 

O tema deste ano foi "Imagine que você é uma carta que viaja no tempo. Que mensagem você quer deixar para seus leitores?". 


Conheça o texto que deu à Ana Luisa o segundo lugar na Etapa Estadual: 


Em um esconderijo secreto, vinte e três de fevereiro de 2018.

 Caros amigos do futuro

Na viagem do tempo, ainda não sei quando e nem onde serei encontrada, mas gostaria de compartilhar com vocês uma história cruel que presenciei.

Conflitos de interesses geraram uma guerra civil na Síria, o que prejudicou mais de vinte e quatro milhões de pessoas entre mortos e feridos.

Em meio às ruinas de um país destruído, conheci uma menina dentro de um abrigo subterrâneo de refugiados. Ela aparentava ter mais ou menos uns treze anos e já usava burca seguindo a tradição de seu povo. Seu olhar era triste e pedia socorro. O abrigo era pouco iluminado e foi construído para proteger as pessoas dos bombardeios e ataques aéreos.

A menina, aos prantos, sentou-se no topo de uma escada, me pegou em suas mãos e em um momento de desespero, confidenciou. Não havia mais água nem comida, todos os dias haviam bombardeios. Confessou que as crianças estavam assustadas demais para saírem e, permanecer naquele ambiente os estava machucando. O apelo era para salvar as crianças desse desastre. Diante da fraqueza, perguntou: O que querem de nós?

O choro me comoveu. Haviam muitas crianças desesperadas procurando os pais, e outras lamentando as mortes dos mesmos.

Elas apenas pediam por paz e segurança, sentiam-se abandonadas, alegando que nenhum país vizinho se importava com elas e não tinham como se defender.

Ela choramingava perguntando se as pessoas não tinham consciência do que estava acontecendo na Síria. Percebi que mesmo com os sentimentos de abandono, elas ainda possuíam amor e fé.

Testemunhei. O abrigo era muito pequeno e aglomerado para a quantidade de pessoas no local. Mas o esforço valia a pena, eram vidas.

Ela relatou também que, mais de dois milhões de crianças não estavam frequentando a escola por conta dos bombardeios e ataques aéreos. O país estava destruído. As crianças que nasciam nesse período de guerra civil eram consideradas refugiadas, e por conta disso, não possuíam certidão de nascimento, o que podia afetá-las pelo resto de suas vidas, era como se elas não existissem.

Por um momento, ouvi um grande estrondo. Uma bomba tinha explodido ali perto. Todos os choros cessaram e só pude ouvir novos gritos. Com o susto, a menina me largou de suas mãos, deixando-me cair no chão.

As pessoas começaram a correr de um lado para o outro, pisando em mim ou me ignorando. Elas foram para o outro lado do abrigo, mesmo este sendo pequeno. Fui esquecida por um tempo até que a menina voltou. Me pegou delicadamente com suas mãos feridas e encerrou: "o mundo em que eu queria crescer é um mundo onde não há guerras nem violência, há felicidade e conforto. No meu mundo não tem escassez de alimentos, nem de água, nem de necessidades básicas, tem união, respeito e compaixão. O mundo que eu queria viver é simplesmente perfeito".

Trocou algumas palavras com os familiares para em seguida, me enrolar, guardando-me no bolso de sua burca.

Já noticiei milhares de informações que fizeram a história. Já estive em palácios com o rei do antigo Oriente Médio, conheci o Imperador Augusto de Roma, viajei nas mãos dos sigmanacis do Egito antigo, voei na boca de pombo correio, andei de cavalo, camelo, avião, computador, sempre expressando o pensamento e o sentimento das pessoas, então, não podia ser diferente. Muito sensibilizada, pensei em como eu poderia ajudá-las nesse momento.

Ainda não sei dizer como fui parar dentro dessa garrafa jogada no Mar Mediterrâneo, mas espero chegar a tempo de salvar essas crianças e bebês inocentes. Espero chegar a tempo de ver a interferência da ONU com uma solução imediata para este conflito e acabar com essa violência política, física e moral.

O tempo, meu transporte no elo do passado para o futuro clama a união entre os povos, o tempo clama uma solução pacífica, o tempo clama liberdade de expressão, o tempo clama trégua, clama respeito e o cessar fogo.

Boiei por muito tempo em alto mar para levar esta mensagem, até que fui encontrada. Lembro-me bem. O céu já estava bem azulado para aquele horário. O mar estava agitado e a brisa serena soprava as folhas das palmeiras mais altas. Uma forte onda trouxe-me às margens da areia e ali, fiquei. Subitamente fui surpreendida com um movimento brusco que me tomou nos braços. Reconheci. Era um menino sírio, que diante de sua curiosidade, em um movimento afoito, me tirou de dentro da garrafa e leu minha mensagem.

Percebi sua expressão de espanto quando relatei a história das crianças refugiadas e do apelo da menina. Quando acabou, ele não acreditava que isso havia acontecido com o seu país.

A surpresa também tomou conta de mim. Como pude após tantos anos sobre o balançar das ondas, voltar novamente naquele lugar?

O menino olhou fixamente para o sol no horizonte, em busca de respostas. Depois voltou novamente o olhar em minhas palavras. Curvou a cabeça para a costa cercada de belos prédios que foram reconstruídos. Viu as pessoas felizes, sorrindo e crianças brincando livremente. E respirou aliviado por ver a Síria totalmente recuperada, um país digno de viver.

Compreendi que a mensagem da paz foi semeada, ficando apenas na minha memória a tristeza do passado.

Ouvi o chamado do pai do garoto. A festa de cem anos do pós-guerra já estava começando.

Carinhosamente,

A Carta em busca da Paz.

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